sexta-feira, 19 de abril de 2013

Foi Assim

24/08/2012 14:58hs

Não sei demonstrar meu afeto. Minhas demonstrações de carinho são normalmente vistas como chatice e minhas brincadeiras dificilmente são entendidas. Talvez realmente seja porque eu tenho uma essência ruim, ou então eu seja simplesmente uma pessoa vazia. Eu não represento nada à ninguém. Não tenho amigos nem alguém pra mim, vivo num mundo à parte, aonde todos cabem, mais ninguém ousa entrar.

Me sinto só, é verdade, minha vida é uma eterna rotina monótona e devagar. Meus passos são sempre os mesmos, minhas marcas nunca ferem outras superfícies, meu rastro é sempre visto pelos mesmos e minha sombra sempre anda só.

Cogito milhões de ideias que possam trazer mais clareza pra o meu dia, nenhuma muito boa a ponto de ser aproveitada, nenhuma mostra de fato a solução do meu problema. E qual é mesmo?

Vivo só e isso é um fato incontestável, quero mudar isso, só não consigo, eu acho.
_Como sou confusa.
Me perco em meio a minha própria confusão, nada faz muito sentido em minhas palavras, talvez nem seja essa a ideia. O importante é colocar pra fora, pra fora do punho, até porque nem um bom ouvinte eu tenho, aliás, eu nunca tive.

Porque me sinto com essa eterna insatisfação com tudo? Nada na minha vida é ruim demais ou insuportável demais, acho na verdade que talvez seja exatamente esse o problema.

Quando eu era pequena, costumava escrever, muito mais do que hoje por sinal, poucas foram as vezes que alguém viu um desses meus desabafos. Na minha cabeça infantil separava esses meus "textos" em dois grupos, os escritos à caneta e os escritos à lápis. Os textos que eu escrevia a lápis ninguém jamais poderia ver, normalmente deveriam se tratar de algum assunto amoroso ou apenas algum segredo inconfessável, e dessa forma, escrevendo-os à lápis, trazia-me uma sensação de segurança, porque eu sabia que após guardá-los por um tempo o mesmo se encarregaria de sumir com tudo aquilo, as palavras desapareceriam assim como meus segredos (pecados). Já os textos escritos a caneta, eram aqueles feitos pra durar, normalmente se tratavam da minha dor e talvez da minha eterna revolta com tudo e com todos. Normalmente eram textos que eu não me importava que vissem. Eram de verdade, doíam, eram feios, incomodavam, mais era eu, era tudo eu, poderiam até não gostar, mais era só eu.

Hoje eu estou escrevendo à caneta.

Era pra ser 8

               As vezes o silêncio é tão revelador quanto qualquer segredo revelado, ou qualquer grito praguejado. Hoje as lembranças vêm até mim, lembranças boas e lembranças não tão boas assim, o que importa é que não posso dizer diretamente que algo tenha sido ruim, aliás, posso. Foi ruim sua indecisão, foi ruim sua ausência, foi ruim sua situação e foi ruim a sua descrença, foi ruim a frieza, foi ruim sua falta de compaixão, foi ruim a sua distância, foi ruim sua estranheza, foram ruins as ordens e foram ruins as tristezas.

               Era pra ser assim, tinha que ser, aconteceu como deveria e por isso agora estamos nessa, nessa de chorar, se desesperar e mais do que tudo esperar, sempre na esperança de que todos essas coisas ruins que agora estão dentro de nós encontrem lugares mais cômodos para viver que não o nosso próprio peito. 

No vazio cabe um monte de coisa, mas nenhuma se encaixa.